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Instalação e configuração inicial do pfSense, passo a passo

Por equipe técnica da OpenSourceBrasil12 min de leituraAtualizado em

Instalar o pfSense é a parte fácil. O que separa um firewall que só liga de um firewall que protege é a configuração inicial: como você atribui as interfaces, o que define no assistente, como trata a senha padrão e se lembra de guardar a configuração antes de mexer em produção. Este guia percorre esse caminho do começo ao fim, na ordem em que ele acontece na vida real.

O objetivo aqui é a primeira instalação bem feita, com decisões conscientes em cada etapa. Vale para quem está subindo um appliance Netgate, um hardware compatível ou uma máquina virtual. Onde a escolha muda conforme o ambiente, o texto aponta o critério em vez de dar uma receita única.

Antes de instalar: requisitos e checagem de hardware

O pfSense roda sobre FreeBSD e é econômico em recursos, mas cada função pesa de um jeito. Firewall stateful puro pede pouco. VPN com criptografia, IDS e IPS com Suricata ou proxy pedem mais CPU e memória. O mínimo prático hoje é um processador 64 bits com AES-NI, 2 GB de RAM e um disco de 16 GB ou mais. Para ambientes com VPN de volume, inspeção de tráfego ou muitos estados simultâneos, dimensione acima disso.

A placa de rede importa mais do que parece. Interfaces Intel costumam ter os drivers mais estáveis no FreeBSD e evitam dor de cabeça com perda de pacote e travamento sob carga. Antes de instalar, confirme que o hardware é compatível e reserve pelo menos duas interfaces físicas ou virtuais, uma para a WAN e uma para a LAN.

Baixar a imagem e gravar a mídia de instalação

A imagem oficial do pfSense Community Edition fica no site da Netgate. Escolha a arquitetura correta (AMD64 na maioria dos casos) e o tipo de instalador. Para hardware com monitor e teclado, a imagem de instalador ISO ou USB resolve. Para appliances sem vídeo, a imagem de console serial é a indicada, porque toda a instalação acontece pela porta serial.

Depois de baixar, confira a integridade do arquivo com o hash publicado pela Netgate antes de gravar. Grave a imagem em um pendrive com uma ferramenta que escreva o arquivo bruto no dispositivo. Copiar o arquivo para dentro do pendrive não funciona: a mídia precisa ser gravada byte a byte.

A instalação no disco

Com a mídia pronta, dê boot pelo pendrive. O instalador do pfSense é objetivo. Você aceita o contrato, escolhe a instalação guiada, seleciona o disco de destino e o sistema de arquivos. Em versões recentes o ZFS é o padrão e é uma boa escolha pela integridade de dados e pela facilidade de recuperação. Ao final, o instalador copia o sistema, pede a remoção da mídia e reinicia.

A instalação em si leva poucos minutos. O ponto de atenção é escolher o disco certo, principalmente em máquinas com mais de um dispositivo de armazenamento. Apagar o disco errado é raro, mas acontece quando a instalação é feita com pressa.

Atribuir as interfaces WAN e LAN

No primeiro boot, o pfSense pede para identificar as interfaces. É aqui que muita instalação começa torta. O sistema mostra os nomes das placas (em1, igb0, vtnet0 e por aí) e você diz qual é a WAN, qual é a LAN e quais são as opcionais. Se não souber qual placa é qual, use a detecção por link: o pfSense pede para conectar o cabo em uma interface por vez e identifica sozinho.

A WAN é a interface voltada para a internet ou para o link do provedor. A LAN é a rede interna. Errar a atribuição faz o firewall bloquear justamente quem deveria passar e liberar quem deveria bloquear. Confira duas vezes antes de seguir.

Acessar a interface web pela primeira vez

Por padrão, a LAN nasce com o IP 192.168.1.1 e um servidor DHCP ativo. Conecte um computador na porta LAN, deixe que ele receba um endereço automático e acesse https://192.168.1.1 no navegador. O certificado é autoassinado neste momento, então o aviso de segurança do navegador é esperado. O login padrão é admin com a senha pfsense.

Trocar essa senha é a primeira coisa a fazer. Um firewall com credencial padrão é um firewall aberto para quem conhece o valor de fábrica. O assistente inicial vai forçar essa troca, mas não confie na memória: defina uma senha forte e guarde em um cofre de senhas.

O assistente de configuração inicial

  • Hostname e domínio: dê um nome que identifique o equipamento no seu inventário.
  • Servidores DNS: informe resolvedores confiáveis ou deixe o pfSense resolver por conta própria.
  • Fuso horário: ajuste para o horário local, o que mantém os logs coerentes.
  • Tipo de WAN: DHCP, IP fixo ou PPPoE, conforme o que o provedor entrega.
  • IP da LAN: mantenha ou troque a faixa interna conforme o seu plano de endereçamento.
  • Senha do admin: defina uma senha forte e única para o equipamento.

O que o assistente não configura por você

Ao terminar o assistente, você tem um firewall funcional com uma regra permissiva na LAN e a WAN protegida. Isso é o suficiente para navegar, não para colocar em produção com segurança. As regras de firewall, a segmentação em VLANs, a VPN, o DNS filtrado e o monitoramento ficam por sua conta a partir daqui.

Vale planejar a topologia antes de sair criando regras. Definir quais redes existem, o que cada uma pode acessar e o que precisa ficar isolado evita a rede plana, aquela em que tudo fala com tudo. O guia sobre segmentação de rede e o guia sobre como organizar regras no pfSense ajudam a montar essa base com método.

Primeiras regras e serviços essenciais

Depois da base pronta, os primeiros ajustes costumam ser os mesmos. Restringir a regra padrão da LAN para liberar apenas o necessário, ativar o resolvedor de DNS com validação, revisar o DHCP e conferir se a administração do firewall não está acessível pela WAN. Nenhuma interface de gestão deveria responder na internet sem uma VPN na frente.

Se o ambiente vai receber VPN de acesso remoto ou entre sites, é melhor projetar isso agora, com o endereçamento ainda limpo, do que encaixar depois. O mesmo vale para IDS e IPS: dá para adicionar a qualquer momento, mas o ajuste fino contra falsos positivos pede tempo e atenção.

Backup da configuração desde o primeiro dia

A configuração inteira do pfSense vive em um único arquivo XML. Em Diagnostics, na opção de backup e restauração, você exporta esse arquivo e guarda em local seguro. Faça isso logo após a configuração inicial e a cada mudança relevante. Restaurar leva um minuto; refazer tudo na mão depois de uma falha de disco leva horas.

Para quem quer automatizar, existe o backup automático de configuração, que envia o arquivo cifrado para a nuvem da Netgate. Com ou sem automação, a regra é a mesma: uma configuração que só existe dentro do equipamento é uma configuração que você pode perder.

Erros comuns na instalação inicial

Atenção

  • Manter a senha padrão do admin após o assistente.
  • Deixar a interface de administração acessível pela WAN.
  • Trocar WAN e LAN na atribuição de interfaces.
  • Subir em produção com a regra permissiva de LAN que vem de fábrica.
  • Não exportar o backup da configuração antes de mexer no ambiente.
  • Dimensionar hardware sem contar VPN, IDS e proxy no cálculo.

Quando faz sentido chamar apoio especializado

Uma instalação de laboratório qualquer um faz com paciência e a documentação da Netgate. O que muda em produção é o custo de errar: uma regra frouxa, uma segmentação ausente ou um acesso administrativo exposto viram risco real quando a empresa depende da rede para operar. A OpenSourceBrasil oferece consultoria pfSense para conduzir o projeto do dimensionamento à entrega documentada, e suporte pfSense para manter o ambiente saudável depois que ele entra no ar.

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Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Qual é o requisito mínimo de hardware para instalar o pfSense?

Na prática, um processador 64 bits com AES-NI, 2 GB de RAM e 16 GB de armazenamento rodam bem um firewall stateful. VPN de volume, IDS, IPS e proxy pedem mais CPU e memória. Placas de rede Intel costumam dar menos problema de driver no FreeBSD.

Qual o IP e a senha padrão do pfSense no primeiro acesso?

A LAN nasce com o IP 192.168.1.1 e DHCP ativo. O acesso web é por https://192.168.1.1, com login admin e senha pfsense. Trocar essa senha por uma forte é a primeira providência, e o assistente inicial já força isso.

Preciso saber usar linha de comando para configurar o pfSense?

Não no dia a dia. A operação normal acontece pela interface web, do assistente às regras de firewall e à VPN. A linha de comando aparece em diagnósticos mais profundos e em cenários específicos, mas a configuração comum é toda gráfica.

O pfSense usa ZFS ou UFS na instalação?

Versões recentes usam ZFS por padrão, e é uma boa escolha pela integridade de dados e pela facilidade de recuperação. O UFS ainda existe como opção, mas o ZFS é o recomendado para a maioria dos ambientes com hardware adequado.

Como faço backup da configuração do pfSense?

Toda a configuração fica em um arquivo XML único. Em Diagnostics, na opção de backup e restauração, você exporta esse arquivo e guarda em local seguro. Faça isso logo após a instalação e a cada mudança relevante. Há também o backup automático cifrado para a nuvem da Netgate.

Dá para instalar o pfSense em máquina virtual?

Sim. O pfSense roda em ambientes virtualizados com boa performance, desde que as interfaces de rede virtuais e o dimensionamento de CPU e memória sejam adequados ao tráfego esperado. Muitas empresas usam pfSense virtualizado em produção sem problema.

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Cada rede é diferente. Fale com um especialista em pfSense por e-mail e receba uma avaliação do seu cenário, sem compromisso.